sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

APARECIDA NOGUEIRA: UMA ARTISTA FENOMENAL QUE ULTRAPASSA O TEMPO.

João de Sousa Lima, Luiz Alberto, Aparecida e Galdino


     Nos deu o prazer de uma visita uma das maiores artistas da terra. Aparecida Nogueira esteve ontem na Redação do Jornal Folha Sertaneja.
A visita foi guiado pelo amigo  Dr. Luiz Alberto, que é filho de Aparecida.
Essa mulher de fibra, que é poetisa, artista circense, , equilibrista, contorcionista, declamadora e atriz, prestes a completar 96 anos de idade, tem uma capacidade de raciocínio impressionante. Recita versos, faz trovas de improviso e ainda atuará em peças de teatros que estará sendo realizadas com a direção de Luiz Alberto.

Visita da artista  à redação do Jornal Folha Sertaneja
  Maria Aparecida Nogueira nasceu em Santa Cruz dos Mendes,  Rio de Janeiro,  em 08 de fevereiro de 1919, filha de Antonio Luiz de Souza e Maria das Dores Vieira.
Durante o período de 1922 a 1942, viveu com sua família no circo, onde desenvolveu vários talentos, seu potencial artístico a fez desenvolver várias formas de expressões, destacando-se desde o contorcionismo, a acrobacia, o trapézio, o canto, a dança, até a representação teatral.
Dentre tantas peças uma das representações teatrais de maior sucesso estrelado por Aparecida foi  a famosa peça  de Nelson Rodrigues: "Doroteia".
Seu talento natural, sua longevidade e seu amor aos palcos a torna uma das maiores e mais atuante artista brasileira.



Ainda criança e já atuando no circo



biografia de Aparecida Nogueira

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

1ª Cia. de Infantaria: Encontro de Irmãos de Armas



    Depois de 31 anos que servi o Exército, na 1ª Cia. de Infantaria. comemoramos essa data entre alguns irmãos de Fardas que se reencontraram em Paulo Afonso.
há alguns dias me ligou de São Paulo o amigo Jackson, que havia ido residir e trabalhar na capital paulista e que desde a 1ª baixa nunca mais havíamos nos vistos.
Jackson viu algumas reportagens que eu vinha publicando no blog e entrou em contato. marcamos um encontro e agora, dia 16 de dezembro, ele trouxe  a esposa Maria Luciene e o filho Kelson Jackson e vieram me fazer uma visita.
O encontro aconteceu no restaurante Rancho da Carioca, depois fomos visitar alguns pontos turísticos da cidade e a noite participamos da troca de comando da 1ª Ci.a de Infantaria, onde encontramos vários amigos que serviram em 1983. Um pouco mais tarde da noite nos encontramos para um bom bate papo na casa de minha irmã Bernadete.
Foi um dia memorável onde mais uma vez reencontramos amigos, celebramos a vida, revivemos fatos que marcaram nossas vidas.
Ao amigo Jackson e sua família eu desejo saúde e paz, lembrando que é sempre uma honra recebe-los aqui.



Sousa Lima e Jackson

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CANGACEIRA ARISTÉIA: GUERREIRA NO CANGAÇO, ANJO NA VIDA

João recebendo um carinho da amiga Aristeia

      A CANGACEIRA ARISTÉIA
Extraído do livro: Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço.
Autoria João de Sousa Lima

A fazenda Lajeiro do Boi, em Canapí era sempre visitada tanto por cangaceiros quanto por policiais. Os proprietários desta fazenda era o casal José soares e Maria dos Santos Lima. Eles tiveram sete filhos: Eleonora, Benedita, Dasdôres, Valdemira, Luiza, Maria, Aristéia e Antenor. Todos nascidos no Capiá da igrejinha, local onde fica a fazenda Lajeiro do Boi.
A policia passava com freqüência na fazenda Lajeiro do Boi. Em uma dessas passagens, um dos policiais ofendeu verbalmente ao velho patriarca dos “Soares”, enquanto ele descansava no alpendre da casa se aproximou uma volante e um dos soldados falou:
- Oh veio feio da peste!
- Cada qual como Deus fez! Retrancou José Soares!
- É verdade! Atalhou um soldado mais consciente!
Em outra ocasião, outra volante comandada pelo aspirante Porfírio espancou o velho José Soares e o filho Antenor, tendo este último sua orelha cortada, sendo atingido pela coronha de um mosquetão. De tal castigo, com seus 97 anos de idade, Antenor guarda a cicatriz co remorso e revolta pela pena sofrida.
Porfírio, além de ferir os moradores da fazenda do Boi, espancou várias pessoas da fazenda Talhada, seguindo até a fazenda Pedra D’água onde mataram Ramos.
Vizinho fazenda Lajeiro do Boi, ficava a fazenda Poço do Boi e foi nesta fazenda onde Benjamim Abrahão se encontrou com o bando de lampião para realizar as famosas fotografias e as filmagens. Benjamim passava dias instalados na casa de Francelino, onde se dirigia sempre uma velha baraúna com pretexto de fotografar Otacilia, filha de Francelino, usando a velha árvore como desculpa para os encontros amorosos que vinha tendo com a filha do dono da fazenda.
Das filhas do casal José Soares e Maria Santos Lima, duas engrossaram as fileiras do cangaceirismo. Uma indo por prazer, outra sendo forçada. A primeira a entrar no bando foi Eleonora. Ela seguiu o cangaceiro Serra Branca.


Aristéia Soares de Lima nasceu em 23 de junho de 1916 ( dia que se comemora a festa de São João ) e lembra-se bem da passagem dos cangaceiros Corisco, Virgínio e Luiz Pedro em sua casa, sendo que por diversas vezes, outros cruzaram o terreiro da fazenda Lajeiro do Boi.
Tendo seu nome envolvido como coiteira de cangaceiros e temendo a ação vingativa dos policiais,Aristeia fugiu pra fazenda alto vermelho,entre lajinha e campo,próximo a Santana do Ipanema,indo refugiar-se na casa das tias Mariinha, Zifina,Santa e Maria Grande. Por essa época, Eleonora já se cobria com a mescla azul e os bornais enfeitados com os desenhos de flores coloridas.
Cícero garrincha já tinha certa queda por Aristéia e assim que abraçou a nova vida do cangaço começou a rondar a fazenda da família da moça. Em uma dessas passagens, ele foi avisado pela amiga Celina, da localização de Aristéia. Cícero seguiu pra fazenda alto vermelho e depois de conversar com a escolhida, sem usar a força, conseguiu que ela, mesmo contra sua vontade, acompanhasse o cangaceiro.
O novo casal seguiu ao encontro do grupo de moreno que os aguardava no coito conhecido por pilão das “pêia junta”, próximo á casa de Aristéia. No esconderijo, Aristéia foi festivamente recebida. Durvalina manejou a velha máquina de costura e fez um vestido pra nova amiga, completando o figurino com bornais floridos e um chapéu de feltro.
Logo após a entrada de Aristéia, suas primas Sebastiana e Quitéria seguiram os cangaceiros moita brava e pedra roxa.

Zé Soares, primo de Aristéia, jovem de dezesseis anos, na companhia do amigo Pedro Tomáz seguiam para roça quando avistaram alguns cangaceiros que deram com a mão chamando-os. O irmão chamou Zé para correr. Zé falou que se corressem podiam morrer. Os dói foram ao encontro dos cangaceiros. O cangaceiro pedra roxa foi logo identificado pelos irmãos. Pedra indagou aos jovens:
- Quem tinha na casa de Pedro Jaquinta?
- Tinha uma mulher!
- O que ela tava fazendo?
- tava torrando umas pipocas!
- Volte e traga uma cuia cheia de pipoca pra gente!
Os rapazes voltaram e quando deram o recado á mulher, ela caiu assustada.
Zé Soares apressou-se
-Avia (se apresse ) Carolina!
Ainda no chão a mulher respondeu:
- Pegue ai, meu filho!
Zé pegou a cuia e levou até o cangaceiro.
- Oi só tem o torrero!
- Tá bom, ta bom! Volte e traga um machado pra eu tirar uma abelha que eu achei aqui!
Zé voltou, encontrando a mulher ainda no chão, tentando se recuperar do susto.
- Levanta Carolina, me dá um machado que a coisa tá apertando!
- Pegue aí debaixo do banco!


Zé entregou o machado a Pedra roxa e o cangaceiro obrigou Pedro Tomáz a tirar o mel. A empreita entrou pela noite, gastando o rapaz, duas caixas de fósforos para clarear e fazer fumaça, espantando as abelhas.
De repente um barulho foi ouvido e um farol clareou os cangaceiros e os rapazes. Era um caminhão abarrotado de soldados. Os cangaceiros se abaixaram e por muita sorte não foram avistados. Refeitos do susto os cangaceiros foram saborear o mel. Pedra Roxa se aproximou dos dois irmãos e alertou:
- Olhe, vão embora, mais se conversarem que me viram, passam por essa daqui (apontando a boca do mosquetão)!
- Eu por mim me garanto, só não garanto por este daqui!Falou Pedro Tomáz.
Diante do embaraço da resposta do irmão, Zé ficou sem palavras para se defender. O cangaceiro ameaçou o jovem:
- Qué dizê, rapaz, que você é assim? Você agora achou! Você agora vai aprender a viver!
No momento de angústia, Zé Soares se lembrou da padroeira do Capiá a quem ele venerava : “ Valha-me Nossa Senhora Divina Pastora “ Clamou Zé, silenciosamente.
Com pensamento na santa, as palavras vieram e ele disse:
-Mais Pedro como é que você diz uma coisa dessas comigo, eu tenho visto esses homens muitas vezes, estando com você e nunca falei nem pra minha mãe!
Foram as palavras salvadoras. O cangaceiro reconheceu que estava seguro.
Os jovens puderam seguir o caminho de volta. No trajeto Zé reclamou de Pedro.
- Mais Pedro como é que você fala uma coisa dessas comigo?
- Agente com medo não Sab o que diz!
A escuridão da noite era testemunha de uma conversa de amigo cobrava de um amigo a sua lealdade e a justificativa do medo servia para pedir perdão e ser perdoado.
Nota: Relato colhido pelo autor , no dia 25 de janeiro de 2007, em noite festiva, na novena consagrada á Divina Pastora, no Capiá da Igrejinha. Canapí, Alagoas, Presente a ex-cangaceira Aristéia e o próprio Zé Soares.

Eleonora vivia com o cangaceiro Serra Branca, que chefiava um grupo de aproximadamente cinco cangaceiros. Grupo esse pouco conhecido por viver sempre escondido nas terras alagoanas. Os cangaceiros desse bando não ganharam destaque em combates, saques e nem crimes, fugindo da realidade do mundo que cercava os caminhos dos cangaceirismo, vida cheia de entrechoques perigosos e violentos.
No dia 20 de fevereiro de 1938, com as rodagens cercadas por policiais, que davam segurança e proteção ao interventor Dr. Osmar Loureiro, de viagem pelos sertões alagoanos, o tenente João Bezerra deixará sua volante nas proximidades do Inhapí, ao cômodo do soldado Juvêncio, totalizando nove homens no grupo, que estavam arranchados perto de uma cacimba.
Os soldados estavam bem á vontade ao redor da cacimba, desarreados dos bornais, chapéus e cartucheiras, estando alguns sem alparcatas.
Com o amanhecer, entre nove dez horas, enquanto Antonio Jacó tirava água do riacho, ele observou um cachorro que se aproximou da cacimba e desconfiou que, pela ornamentada coleira que possuía, só podia ser cachorro de cangaceiro. Os soldados tinham realmente razão, era o grupo de Serra Branca que vinha se aproximando.
O chefe trazia nas costas, uma banda de bode, sendo seguido pela mulher Eleonora e mais dois companheiros, entre eles o Ameaça Antonio Jacó viu quando o soldado Cornélio levantou-se e empunhou o fuzil, se preparando para atirar, enquanto ele ajeitava, na cintura, suas cartucheiras com vinte e cinco cartuchos. O tiro zoou, partindo da arma de Cornélio Jacó correu em perseguição aos cangaceiros, sendo acompanhado pelo soldado Zé Gomes. Na frente de Antonio Jacó corria o cangaceiro Serra Branca e na frente tentava fugir Eleonora. Jacó gritou:
-Se vira cabra, pra brigar. Se vira pra brigar!
(Acompanhem a perseguição sendo relatada pelo próprio Antonio Jacó):- Eu atirando, atirando e correndo. Aqui e acolá ele ( o cangaceiro ) se virava, dava um tiro e corria. Até que ele se apadrinhou numa catingueira, mas ficou assim meio de fora eu tive a oportunidade de atirar bem nele. A bala pegou assim na altura da pá com as costelas e saiu do outro lado, ele se torceu, jogou a banda de bode prum lado e correu. Ai eu vi que tinha ferido ele, porque das costas saia sangue. Quando ele saiu correndo eu sai na carreira atrás dele de novo. Adiante tinha um riacho, ele pulou embaixo, já com pouca força. O riacho tinha assim um metro e meio de fundura, mais tava seco. Na carreira que eu ia nem deu para parar na ribanceira do riacho. Ele tava com o rifle armado e pronto para atirar e como não deu pra mim parar eu pulei encima dele. Ele assombrou-se com o que viu e ocorreu. Quando ele virou as costas, ai eu aproveitei e pá. Ele caiu debruçado. Mais eu i que ele não tinha morrido. Quando ele caiu, a mulher que ia na frente dele viu que ele não podia mais correr, virou-se abriu os braços. Não sei por que ela abriu os braços assim, porque foi tudo rápido, não deu para pensar em nada. Naquele instante, Zé Baixinho vinha atrás de mim e eu não sabia que ele vinha atrás de mim, acompanhando aquela correria toda. Zé Baixinho que vinha correndo mirou o mosquetão e atirou na mulher de braços abertos e acertou bem no meio da testa. Foi um tiro só. A mulher tombou no chão na mesma hora.
O soldado Zé Baixinho aproximou-se de Serra Branca. O cangaceiro apesar do tiro que havia tomado levantou-se e atirou. Zé Baixinho caiu entre os matos. Antonio Jacó atirou no estômago do cangaceiro acabando de matá-lo. Zé Baixinho levantou-se apenas atordoado pelo susto do tiro, sem ser ferido. Antonio Jacó cortou a cabeça do casal, amarrou um crânio no outro pelos cabelos e retomou trazendo os dois troféus, na direção da cacimba, onde estavam arranchados. Na cacimba, Cornélio estava com a cabeça do cangaceiro Ameaça, separada do corpo cortada por facão. O tenente João Bezerra que estava um pouco distante na hora do tiroteio, mas que havia ouvido os tiros, já se encontrava na cacimba quando Antonio Jacó foi avistado seguindo por dentro do riacho, trazendo as cabeças e os pertences dos cangaceiros. Os soldados levantaram as cabeças cortadas mostrando-as aos amigos. Depois de alguns minutos de conversa, diante da observação do tenente João Bezerra, foi que eles foram ver que Antonio Jacó tinha perseguido os cangaceiros, estando descalço, sem camisa e sem chapéu.
Os soldado retornaram pra piranhas, transportando as cabeças. De Piranha foram pra pedra de Delmiro e de lá seguiram pra Santana di Ipanema, onde entregaram as cabeças aos coronéis Zé Lucena e Teodoro de Camargo Nascimento. Os coronéis deram a patente de cabo a Antonio Jacó repassou a patente para o amigo Juvêncio.
Em Santana do Ipanema, os soldados Cornélio, Zé Baixinho, Elias, Octácilio, Zé Gomes e mais alguns companheiros, prestaram contas aos seus superiores hierárquicos, tendo por provas os crânios das vitimas abatidas em combate.
Entre as macambiras espinhentas da caatinga, três corpos alimentavam animais selvagens, enquanto na fazenda Lajeiro do Boi, os pais de Eleonora sofriam a perda de uma filha querida. Aristéia soube através dos coiteiros da morte da irmã e por ela verteu lágrimas sentidas.
O padre Demuriês, que celebrava a missa na região de Mata Grande, Canapí, Inhapí e nas fazendas circunvizinhas, criava em segredo o filho de Eleonora e Serra Branca, um menino chamado Francisco de Sá. Assim que o padre ficou sabendo da morte da amiga cangaceira, convocou alguns fiéis e foi, em segredo, enterrar Eleonora. O padre chegou com facilidade onde estava o corpo, sendo auxiliado por vaqueiros conhecedores da região. No local, o Ministro de Deus encomendou o corpo e o enterrou em côa rasa aberta na urgente necessidade do momento e coberta por facheiros e macambiras, deixando sepultada uma vitima que antes de tudo fazia parte de sua vida, ficando, por recordação da amiga, um filho deixado por ela.
Moreno e seu grupo empreenderam uma viagem em direção á Santana do Ipanema, saindo das proximidades da fazenda Lajeiro do Boi. No percurso, os catingueiros tiveram que passar nos pastos, fazenda com o mesmo nome do local onde morreram Eleonora, Serra Branca e Ameaça. Cícero Garrincha e Aristéia seguiam um pouco na frente do grupo, atravessando as veredas, soltando sorrisos de contentamento, curtindo a festividade da aparente gravidez, de poucos meses, da cangaceira.
Moreno, sempre arisco, seguia concentrado no caminho e preparado para as surpresas que pudesse aparecer (e elas sempre apareciam ).
Apesar de cedo do dia, o sol alardeava seus raios trêmulos sobre a terra, castigando os galhos pontiagudos e as folhas secas da caatinga. Os cangaceiros riscavam com suas “percatas” ferradas, os empoeirados atalhos alagoanos.
Os risos de Aristéia disfarçava a triste dor que perpassava a condição de sofrimento da ida bandoleira do cangaço, feito sentença cumprida na solidão e no abandono dos carrascais poeirentos dos materiais lúgubres, que geravam as ações continua de fuga, onde se igualavam atacantes e atacados.
Um pouco mais na frente, fechando a passagem de vereda por onde seguiam os cangaceiros, soldados armavam uma emboscada. Escondidos e protegidos entre as pedras e as vegetações mais salientes, eles aguardavam o momento de atacar os inimigos.
Os cangaceiros seguiam em direção á armadilha, sem desconfiar da cilada armada. Poucos passos depois, na aparente serenidade da caminhada, tiros ecoaram, calando risos e gerando tumultos. Moreno e João Garrincha agacharam-se e retribuíram os disparos, colocando as mulheres em suas retas-guardas, longe dos possíveis ferimentos. Travou-se acirrado tiroteio.
Um pouco á frente de Moreno, um cangaceiro atingido pelos primeiro disparos, agonizava. Poucos segundos depois, o cangaceiro Zé Velho, apelidado de pontaria, dava seus derradeiros suspiros. Um pouco atrás de Zé Velho, Cícero Garrincha, o Catingueira, também tombava crivado por balas.
Aristéia avistou Cícero Garrincha se arrastando, procurando sair do raio de ação dos disparos realizados pelos policiais.
Aos poucos, o matraquear intermitente das armas foram ficando compassados. Os soldados foram silenciando seus armamentos e fugindo do campo de batalha. Zé Velho tombara morto, crivado pelas minúsculas ogivas de chumbo disparadas. Cícero Garrincha levantou-se depois de muito esforço. Suas roupas estavam completamente encharcadas de sangue. Moreno se aproximou de Cícero Garrincha e, junto com João Garrincha, o transportaram para um local mais seguro. Aristéia lembrou-se do velho ditado sertanejo: “Muito riso é prenúncio de muita dor”.
Os cangaceiros seguiram a trilha de volta, buscando socorrer o amigo que cambaleava apoiando nos ombros dos dois fiéis amigos. Com algumas centenas de metros, já exaustos, os cangaceiros pararam. Cícero Garrincha foi colocado em uma sombra e sua camisa foi aberta dando visão ao estrago causado pelo tiro. A caixa torácica foi parcialmente destruída pelos estilhaços de uma mortal bala. Os companheiros assustaram-se diante da visão do ferimento, onde viam o coração pulsando. A respiração ofegante do baleado expulsava jatos de sangue, pelo largo orifício da contusão. O cangaceiro pediu água, Moreno argumentou que água naquele momento causaria danos piores, podendo levá-lo rapidamente á morte. Durvalina tirou de dentro de um dos bornais um vidro de “saúde da mulher” um composto usado quando das cólicas menstruais. Um capucho de algodão foi ensopado por Durvalina na solução e passado nos lábios do moribundo cangaceiro, por seguintes vezes o chumaço de algodão foi embebido no remédio e aliviado a secura dos lábios de Cícero Garrincha, enquanto seu coração arquejava descompassado, expulsando sangue borbulhante cada vez que respirava, sendo assistido por olhares assustados com a gravidade da lesão. Moreno sabia que a morte do amigo era questão de tempo. Cícero Garrincha também pressentiu o momento difícil porque estava passando. Ao lado do cangaceiro, Aristéia chorava sua angústia. Moreno olhou nos olhos de catingueira e perguntou:
- O que você quer que eu faça com sua mulher?
- Faça o que Deus quiser!Se pudé deixe ela com a família!
- Eu deixo!
A respiração de catingueira foi ficando insuficiente, o sangue banhava cada vez mais as mãos que segurava o corpo inquieto. O coração pulsava frágil e visível. O cangaceiro apertou com a mão, o braço de Moreno, pendeu a cabeça pro lado e expirou. As lágrimas rolaram nas faces angustiadas dos companheiros. João Garrincha assistiu, contrariado, a morte do irmão. Aristéia chorou amargamente sua perda, ostentando em sua barriga saliente, um órfão prestes a nascer. Moreno cavou, junto com a ajuda dos amigos, uma cova rasa e enterrou o companheiro, cobrindo a sepultura, com macambira e xique-xique cactáceos que enfeitam a paisagem rara do Sertão Nordestino.
Os cangaceiros seguiram outro caminho, inverso ao que vinham seguindo, fugindo de mais uma desagradável surpresa que, por ventura, pudesse acontecer. Ao local do combate, Moreno retornaria quatro dias depois, encontrando só a carcaça do corpo decepado do cangaceiro pontaria. A policia levou a cabeça, deixando o corpo para servir de comida para os bichos famintos das caatingas.



Durvalina tentou alegrar Aristéia de todas as formas possíveis, porém a dor da amiga era por demais recente inesquecível. Moreno escalou dois cangaceiros para levarem Aristéia onde ela escolhesse, cumprindo o prometido ao amigo Cícero Garrincha.
O cangaceiro cruzeiro passou a perseguir Aristéia, insistindo para ficar com ela. A cangaceira ainda abalada com a perda do marido recusou as propostas de cruzeiro. O dinheiro tirado dos bornais de catingueira, 50 contos de réis, foi costurado por Durvalina, na barra do vestido de Aristéia. A cangaceira pediu pra ir se entregar, pois se voltasse para família poderia ser morta. Moreno aceitou o pedido da companheira e mandou Boa Vista e Cruzeiro levá-la em Santana do Ipanema, local escolhido por ela. Os cangaceiros seguiram dentro do Máximo cuidado, escoltando Aristéia. Na fazenda pedra D’água, os cangaceiros pegaram um rapaz e mandaram que ele levasse a mulher até a cidade, pois não podiam se aproximar mais, pois, corriam o risco de serem presos ou mortos. O rapaz temeroso se recusou a atender ao pedido dos cangaceiros. Boa Vista se aproximou e jurou sangrar o garoto caso ele desobedecesse a sua ordem. O jovem sem opção seguiu escoltando Aristéia. Em Santana do Ipanema, diante dos olhares curiosos, Aristéia se entregou ao capitão Mané Vicente. O militar deixou a cangaceira em sala livre onde ela passou alguns meses. O moço portador, que havia ido apenas deixar a mulher na cidade, acabou sendo preso também. O senhor Ismael, de Alexandre, quando viu o rapaz preso, diante do absurdo da detenção, procurou o delegado e foi pedir para que ele soltasse o garoto, pois o conhecia e ele era guia de uma cega. O delegado ordenou a soltura do inocente e ele retornou pra fazenda, onde realmente servia de guia de uma senhora que vivia na escuridão por falta de visão.
No dia 15 de maio de 1938, Aristéia deu a luz ao filho dela e catingueira. O menino ganhou o mesmo nome do pai de Aristéia, José Soares. O filho ficou aos cuidados das tias de Aristéia. O menino depois que cresceu, ganhou o mesmo apelido que tinha o pai, catingueira.


No mês de julho, cubículo apertado, cercado por grades, Aristéia ouviu fogos de artifício estourados nos arredores da cidade. Diante dos gritos e do barulho formado, Aristéia e mais algumas mulheres que também estavam presas subiram em tamboretes e avistaram, ao longe, soldados que exibiam as cabeças de Lampião, Maria Bonita e mais alguns cangaceiros abatidos na Grota do Angico, em Sergipe. Foi essa a única vez que Aristéia viu Lampião, apesar de terem trilhado o mesmo caminho do cangaço.
Pedra Agra, Pedro Gaia e Pedro Soares, homens de recursos, tios de Aristéia, quando ficaram sabendo da prisão da sobrinha, reuniram-se e foram solta-la. A cangaceira ficou livre das grades, tendo apenas que permanecer na cidade, sem poder se ausentar, ficando sob ordens do coronel Lucena, que a enviou para casa das tias Mariinha, Zafina, Santo e Maria Grande, na fazenda Lajinha.
Os tios de Aristéia, Pedro Gaia e Pedro Soares residiam em Palmeira dos Índios, sendo que o primeiro tornou-se depois prefeito de Santana do Ipanema. Homens de influência política e publica usaram seus conhecimentos para deixarem a sobrinha sem os infortúnios das regras regidas dos detentos vindos dos diversos bandos de cangaceiro.
O coronel Lucena disse que Aristéia podia ir ficar na casa das tias, mas que não fosse procurar mais por cangaceiros. Aristéia respondeu que não havia mais cangaceiros vivos, pois Lampião havia morrido. Salvo desconhecimento da cangaceira, o seu ex chefe, o Moreno, percorria ainda, os mesmos esconderijos.
Na casa das tias, Aristéia ficou durante algum tempo, depois retornou pro Capiá da Igrejinha, seu paraíso de infância, deixando José Soares, seu filho, para ser criado pelas tias, todas elas, moças velhas.
Catingueirinha, quando já rapaz, deixou as tias e veio morar com a mãe biológica. Tornou-se um negociante de frutas, conhecidos por todos da região, levando seus produtos para serem vendidos nas feiras das localidades vizinhas. Em uma dessas viagens, demorou chegar em casa e a sua esposa aflita saiu em busca do marido, indo encontrá-lo na beira da estrada, gemendo e todo ensanguentado, falecendo no outro dia, crime realizado em 1964, por um amigo, que levou irrisória quantia, pela qual, mesmo sendo a pior qualidade de bandido, não e tira a vida da mais simples espécie. O salteador foi transferido para Maceió, depois que um dos primos de Catingueirinha tentou invadir a cadeia para vingar do bárbaro assassinato, inconformado com a barbárie da morte de um jovem familiar.
Aristéia ainda vive, lúcida e forte, hoje aos cuidados do filho Pedro Soares, lembrando com facilidade dos fatos ocorridos que deixaram marcas profundas em seu curso de vida, sendo sempre aliviada pelo amor dos familiares e pelas correntes de orações que lhe são dedicadas em dia especial, em uma maravilhosa noite festiva, acontecida no Capiá da Igrejinha, em Canapí Alagoas, terras abençoadas e que ela carrega sempre no pensamento como se fosse parte sagrada do seu próprio corpo.


João e Aristeia em Fortaleza

Arsiteia encontrando os cangaceiros  Moreno e Durvinha


Durvinha e Aristeia: amigas no cangaço e depois 

Aristeia em sua casa em canapi, Al

Aristeia nos 100 anos de Maria Bonita






segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS: APOIE ESSA CAUSA. ( VOCÊ PODE MUDAR O MUNDO ).



    MÉDICOS SEM FRONTEIRAS: APOIE ESSA CAUSA.
(0800 021 1197 e msf.org.br/areadodoador)

MSF é uma organização não governamental sem fins lucrativos que tem o compromisso de destinar mais de 80% de todos os recursos arrecadados às atividades de ajuda humanitária que realiza em campo. Os demais 20% são utilizados para despesas administrativas e reinvestidos em ações para captação de recursos.
O uso dos recursos de MSF é rigorosamente controlado e os relatórios financeiros auditados de todos os nossos escritórios internacionais são publicados anualmente.
A organização Médicos Sem Fronteiras leva ajuda médico-humanitária às populações em perigo e às vítimas de catástrofes de origem natural ou humana e de situações de conflito, sem qualquer discriminação racial, religiosa, filosófica ou política.
 
Trabalhando com neutralidade e imparcialidade, Médicos Sem Fronteiras reivindica, em nome da ética médica universal e do direito à assistência humanitária, a liberdade total e completa do exercício de suas atividades.
 
Os membros da organização se empenham em respeitar os princípios deontológicos de sua profissão e em manter total independência em relação a todo poder, bem como a toda e qualquer força política, econômica ou religiosa.
 
Voluntários, eles compreendem os riscos e os perigos dos trabalhos que realizam e não reclamam para si qualquer compensação que não seja aquela oferecida pela organização.
ituações de emergência pedem resposta rápida, com atendimento médico especializado e apoio logístico, mas falhas crônicas no sistema de saúde local, como a escassez de instalações de saúde, de profissionais qualificados e a inexistência da oferta de serviços gratuitos para populações sem recursos financeiros, também podem motivar a atuação da organização. 
Independente, neutra e imparcial, MSF determina, de acordo com sua própria avaliação, onde, quando e como agir. Quando a atuação se dá em resposta a uma emergência repentina, como uma catástrofe natural, ela pode ser viabilizada entre 48 e 72 horas. Por trás da agilidade de MSF, está um sistema de logística extremamente eficiente: em 1980, a organização passou a utilizar kits personalizados e adaptados para cada contexto, que são pré-embalados e prontos para viagem e são constantemente aprimorados. Os kits contêm medicamentos, suprimentos e equipamentos básicos e atendem desde campanhas de vacinação até a montagem de um hospital inflável.
MSF também procura unir-se a grupos de pacientes para sensibilizar e, às vezes, pressionar os atores envolvidos – órgãos e instituições internacionais e a indústria farmacêutica – para que as populações que mais precisam tenham acesso a medicamentos de qualidade.
Todos os profissionais que atuam com MSF, sejam médicos, especialistas em saúde ou de outras áreas, devem sempre honrar os seguintes princípios, descritos na carta de princípios da organização:
 
Independência
Médicos Sem Fronteiras é independente: não está atrelada a poderes políticos, militares, econômicos ou religiosos e tem liberdade de ação, decidindo onde, como e quando atuar com base em sua própria avaliação do contexto e das necessidades. Essa independência de ação é garantida por sua independência financeira, já que, de todo o financiamento de MSF, pelo menos 80% é proveniente de doações de indivíduos e da iniciativa privada.
Imparcialidade
Médicos Sem Fronteiras presta cuidados de saúde àqueles que mais precisam, sem discriminação de raça, religião, nacionalidade ou convicção política. A organização define o público que será priorizado com base, exclusivamente, na avaliação das necessidades de saúde identificadas. A possibilidade de aliviar o sofrimento de indivíduos por meio da ação médica é o que determina a norteia as atividades de Médicos Sem Fronteiras.
Neutralidade
Em situações de conflito, MSF não toma partido. A neutralidade é crucial para as equipes conseguirem chegar a qualquer pessoa afetada, independentemente do lado do conflito em que esteja. A neutralidade de MSF é possibilitada pela sua total independência financeira de governos ou partes envolvidas em conflitos.  
Transparência
MSF avalia constantemente os projetos que implementa e presta contas à sociedade e aos doadores sobre a gestão dos recursos captados e resultados de suas ações. A origem e utilização dos recursos são apresentadas de forma clara e acessível. Para reforçar esse compromisso, os relatórios financeiros são auditados por empresas independentes e redigidos em conformidade com os padrões da International Financial Reporting Standards (IFRS). São também publicados relatórios anuais, que trazem o resumo das atividades desenvolvidas em campo e análise crítica dos progressos, obstáculos e aprendizados. MSF também preza pela transparência na relação com seus pacientes e, coerente com essa transparência, informa-os sobre as escolhas que faz e sobre as decisões que toma no que se refere à sua atuação médica.
Ética médica
As ações de MSF são, acima de tudo, médicas. O trabalho da organização é norteado pelas regras da ética médica universal. Em primeiro lugar, vem o dever de prestar assistência a quem precisa, sem prejudicar indivíduos ou grupos. A ética médica fala de respeito à autonomia e à confidencialidade dos pacientes, e também de seu direito a acessar todas as informações necessárias para que possam consentir procedimentos e tomar decisões com respaldo. Cada indivíduo é tratado com dignidade e respeito e recebe cuidados médicos de qualidade.
Escritório Brasileiro
Em 2006, MSF estabeleceu seu escritório no país, com o objetivo de recrutar profissionais, captar recursos financeiros e promover ações de comunicação. MSF criou também a Unidade Médica do Brasil (BRAMU, Brazilian Medical Unit), cujo objetivo é capacitar e treinar profissionais de MSF para melhorar a qualidade de atuação nos projetos da organização pelo mundo. Com esse objetivo, foram estabelecidos acordos de cooperação com instituições brasileiras de excelência nas áreas de tuberculose, infectologia, ginecologia e pediatria.
O escritório brasileiro, localizado no Rio de Janeiro, é uma delegação do Centro Operacional de Bruxelas e tem suas atividades financiadas com recursos de cidadãos de vários países, inclusive do Brasil.















quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

1ª CIA. DE INFANTARIA 31 ANOS DEPOIS. “EM HOMENAGEM AO SOLDADO FALCÃO”


    1ª CIA. DE INFANTARIA
31 ANOS DEPOIS.
“EM HOMENAGEM AO SOLDADO FALCÃO”


     A 1ª Cia. De Infantaria foi criada pela Portaria 54-47-Res, de 29 de abril de 1954, tendo como destino a região da Usina Hidrelétrica do São Francisco.
    Organizada em 07 de fevereiro de 1955, no quartel do 19º BC, tendo como Comandante nomeado o Capitão Teófilo Benedito Ottoni e incorporando 24 conscritos.
Em 25 de janeiro de 1957 embarcou para Paulo Afonso, o 1º contingente que deveria permanecer guardando as instalações da companhia, constituído por 01 3º sargento, 02 cabos e 10 soldados.
E 24 de fevereiro de 1958 assumiu o comando o Capitão Inf. Jayro Salgado Ramos.
Em 10 de abril de 58 o 1º Pelotão de Fuzileiros da 1ª Cia. Ind Fuzileiros desloca-se para Paulo Afonso, ampliando o efetivo da OM nessa região, comandada pelo tenente Geraldo Rodrigues dos Santos.
Em 01 de junho de 1958 a Companhia recebe autonomia Administrativa, ainda nas instalações do 19º BC.
Palavras do comandante da Companhia por ocasião da conquista de Autonomia Administrativa, publicadas no Boletim Interno nº 1 da Cia. Ind Fuzileiros:

“Meus camaradas”! A nossa Companhia vinha até agora, integrada ao 19º BC (Batalhão Pirará) oriundo, dessa unidade de elite do Exército Brasileiro, os ensinamentos fornecidos por sua oficialidade estudiosa e a experiência de uma longa existência, onde o passado histórico, pontilhado de grandes serviços prestados à Pátria é um repositório de exemplos de bravura, civismo e dedicação.
    D´agora por diante, marcharemos sós. O amor à Companhia demonstrado, mais uma vez, por todos, constituirá, de certo, força mais que suficiente para vencer, com equilíbrio e rapidez, as dificuldades iniciais da instalação.
    Soldados de Paulo Afonso!
    O majestoso São Francisco nos espera, para nos acolher em suas margens. “E naquele longínquo rincão brasileiro, a nossa companhia há de cumprir a missão que lhe foi confiada”.
Cap. Inf. JAYRO SALGADO RAMOS

    Em 03 de outubro de 1958, pela primeira vez como unidade independente, a companhia foi empregada na manutenção da ordem durante o pleito eleitoral nas seguintes localidades do interior da Bahia:
Cipó, Paulo Afonso, Glória, Ribeira do Pombal, Paripiranga e Cícero Dantas.
Em 01 de julho de 1960, a companhia desloca-se para Paulo Afonso, por rodovia, com todo seu efetivo, para ocupar sua sede definitiva, chegando ao destino às 18h e 30 minutos do dia 02 de julho.

      A 1ª Cia. De Infantaria participou e participa de várias ações sociais e na cidade e nas adjacências.
      A seleção anual dos novos conscritos dá a chance à juventude de ter acesso a um soldo como se fosse o primeiro salário e um primeiro emprego e, ainda, a oportunidade de servir ao seu país.
     Eu tive a oportunidade de servir o exército brasileiro na 1ª Cia de Infantaria, no ano 1983. Um ano que nunca esqueci. Todos comentam até hoje que foi o ano mais duro em termos de instruções. Por anos ficou e permanece a fama da “TURMA DE 83”.
Fui o soldado 145, Sousa Lima, do 2º Pelotão de Fuzileiros.
No ano de 2004, quando a 1ª Cia. de Infantaria completou 50 anos de história, a câmara de Vereadores de Paulo Afonso em parceria com a 1ª Cia de Infantaria trouxe o 1º comandante, o senhor Jayro Salgado Ramos e fizeram uma justa homenagem a esse valoroso militar.
O amigo e então vereador, presidente da câmara, Dr. João Lima, me convidou para participar da homenagem ao comandante Jayro e pude nesse dia falar pra ele da importância que era a 1ª Cia. pra essa região. Esse encontro ficou registrado em várias fotografias.
Dentre os tantos “Irmãos de Armas” lembro sempre de Jair, Ivo, Magno, Martins, Correia, Tavares, Silva, Humberto, Aldênio, Márcio, Henrique, Barbosa, Dimas, Jackson, Luiz Antônio, Sandes, Napoleão, Antônio, Medeiros, Hermany, Monteiro, Paulo Souza, Neves, Pionório, João, Donato, Hélio, Jorge, Carvalho, Soares, Iraildo, Arcanjo, Pedro Gomes, De Souza, Inocêncio, Arnaldo, Ramos, Varjão, Cleomir, Nivaldo, Melo, Cabral, Rivaldo, Paz, Leonel e principalmente de Lima (hoje subtenente) e Falcão.
Lima era do mesmo pelotão que eu e estávamos sempre juntos quando das instruções, dos esportes, marchas, acampamentos, ordens unidas e nos duros testes de sobrevivência.
Agora em 2014, quando completou 31 anos que servimos ao exército, reuni alguns amigos que fizeram parte da 1ª Cia. de Infantaria, no ano de 1983. Reunimo-nos eu, Barbosa, Correia, Donato, Lima, Salvador e Falcão.
Em uma tarde memorável relembramos fatos, revivemos histórias e celebramos a oportunidade de ter vivido essa página da história da 1ª Cia. De Infantaria.
     Nos esportes, sem sombras de dúvidas, o maior atleta foi o soldado Falcão. Ele era campeão em todas as modalidades. Um excelente esportista. Campeão em salto em altura, a distância, arremesso de pesos, futebol, voleibol e corrida. Era um guerreiro incansável nas instruções.
O sonho de Falcão era permanecer no exército, ser sargento, seguir carreira. O próprio comandante, o major Leonardo de Andrade, dizia que queria Falcão como sargento.
Infelizmente Falcão não pode realizar seu sonho. Por truculência de um sargento, teve uma pequena falha levada ao extremo de uma parte no livro de ocorrências que resultou em seu desligamento na 1ª baixa.
Falcão continuou sendo um dos grandes atletas da cidade, onde todos o conhecem por Paulão, jogador da seleção de Paulo Afonso por mais de 15 anos, campeão intermunicipal e campeão várias vezes, em todos os times que atuou.
Falcão foi sempre o encarregado de reunir os reservistas e todo ano, no dia 16 de dezembro, ele promove o encontro dos Irmãos de Armas.
No dia destinado aos reservistas Paulão se transforma no soldado Falcão e veste com orgulho e honra a farda Verde Oliva, marcha com fulgor, em passos firmes, pisando forte o chão da 1ª Cia. de Infantaria, chão que tantas vezes percorreu, como orgulhoso atleta e soldado, em ido ano de 1983.

João de Sousa Lima
Paulo Afonso, Bahia, 03 de novembro de 2014.

FALCÃO E SOUSA LIMA

FALCÃO, LIMA, NEVES, SOUSA LIMA  E CORREIA

BARBOSA E SOUSA LIMA




LIMA E SOUSA LIMA

SOUSA LIMA, JAYRO (1º COMANDANTE DA 1ª CIA. DE INFANTARIA) E JOÃO LIMA